sábado, 19 de setembro de 2009

Primeiro dia ainda

Em poucos minutos, a moça, minha irmã, já estava de volta com a enfermeira. Meu pulso foi medido, a enfermeira me disse que o doutor chegaria em breve, assim como minha refeição. Foi então que eu percebi que estava faminta e que mal conseguia me mover por causa do soro e dos aparelhos. Sentia dor em cada um dos meus membros, mas queria sair daquela cama, daquele quarto, daquele hospital.
Minha mãe e minha irmã estavam tristes pela minha falta de memória e, por isso, tentavam me fazer lembrar de alguma coisa. As duas se apresentaram: minha mãe, Dione e irmã, Cléo. Falaram sobre o acidente e sobre as pessoas que haviam me visitado. Eu ouvia mas não reconheço nada. De qualquer modo, disseram que acreditavam que eu logo pudesse me lembrar de tudo e que minha sobrevivência fora milagrosa. Ao ouvir isso, tive medo e movimentei minhas pernas e elas me obedeceram e doiam.
Quando o médico chegou, fui examinada e os aparelhos foram desligados. Também recebi uma sopa e, por isso, não precisei mais do soro. Uma cadeira de rodas foi trazida até o quarto e fui ajudada a ir ao toalete, faltava-me forças para ficar em pé sozinha.
Cléo teria que ir embora e deixou seu laptop comigo. Ela disse que se eu escrevesse, talvez pudesse lembrar de tudo mais rapidamente. Também me ajudou com a criação do diário. Depois que Cléo foi embora, fiquei só com minha mãe. E, depois de dormir durante 3 horas, escrevi um pouco. O cansaço não me deixou escrever mais.
Isso foi ontem. Hoje também já estou cansada. Minha mãe foi para a casa e Cléo veio ficar no lugar dela. Hoje e ontem, o médico não permitiu que eu recebesse outras visitas. Achei bom, porque não lembro mesmo de ninguém.

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