segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Lar Santa Luzia

O laptop da Cléo quebrou e ela não tinha como consertar. Ela recebeu no dia 5 e só depois disso que pode chamar o técnico. A máquina foi consertada no sábado.
Minha mãe está em Aparecida do Norte pagando promessa. Ela tinha prometido acender uma vela do meu tamanho caso eu ficasse boa. E, tirando a memória, estou bem... acho eu.
Estamos eu e minha irmã em casa. Além de nós duas, estão duas amigas da Cléo, a Daniele e a Ana Paula, que fazem street dance com ela. Agora estão as três na sala treinando uma coreografia. Elas chegaram para o almoço e eu lembrei que a Ana Paula não gosta de suco de pozinho. Parece pouca coisa, mas ficamos felizes por isso.
Essa semana fui visitar meu avô. Minha mãe veio toda sem jeito me falar sobre ele, pois tinha muito medo de que eu a julgasse mal. Ela me contou que já não tinha condições físicas e psicológicas de cuidar dele, nem dinheiro para pagar profissionais que viessem cuidar dele aqui. Mas disse que se informou muito bem sobre a casa e que sabe como o pai é bem tratado. Ela também vai duas vezes por semana visitá-lo. A Cléo vai no meio da semana também, assim como uma minha, filha do primeiro casamento de meu avô. Já o irmão de minha mãe, esse aparece uma vez a cada dois ou três meses, tanto é que eu ainda não o vi.
A casa de repouso onde meu avô mora se chama Lar Santa Luzia. É razoavelmente grande, os profissionais parecem ser bem atenciosos com todos os moradores. A casa possui sala de jogos, um quintal bonito com três árvores grandes: uma amoreira, um abacateiro e uma goiabeira. Também tem a sala de jogos, a cozinha, uma copa, a enfermaria. Sempre que vai visitar o meu avô, minha mãe leva algum docinho ou qualquer outro agrado... Mas ele não lembra de sua filha. Nesse ponto, eu me senti muito próxima a ele.
Mas não tem como comparar a minha falta de memória com a doença que acomete o meu avô. Ele ainda consegue fazer muitas coisas sozinho, mas sem a antiga facilidade. Além disso, ele tem ataques de agressividade e não quer a ajuda de ninguém, tornando difícil o cuidado por pessoas não especializadas. A enfermeira disse que ele começa a sair da realidade, insiste em querer fazer tudo sozinho e chora por não ser atendido. Nessa visita, meu avô se mostrou apático mas se lembrou de mim e disse: - Sophia! Brejeira, brejeira! E eu lembrei dele grandão, lá em cima do pé de jaboticaba enquanto eu, pequenininha, esperava lá em baixo da jaboticabeira comendo das frutinhas que ele já tinha apanhado. E, lá de cima, meu avô perguntava: está doce, brejeira?
Meu avô chorou. Eu chorei também.